Carta aos Cem Anos

O que ficará aos cem anos. Entre o agora e o tempo que ainda virá, escrevo à mulher que serei.

Querida! Teu caminhar está sendo longo. Quando te escrevo, estou na estrada, passando do meio, com um olhar para o que já passou e outro para o horizonte que se desenha.

Imagino teus passos lentos, silenciosos, carregados de histórias que ainda não vivi. Penso e me pergunto: que memórias guardas agora, quais caminhos ainda lembras e quais se perderam no tempo.

Hoje caminho entre descobertas, um livro, a tecnologia que se abre para o mundo, a simplicidade de uma folha de outono que cai no quintal, uma idéia nova que surge. Talvez isso para ti seja lembranças de um tempo que se foi, mas espero que ainda conserve o mesmo brilho simples de agora.

Escrevo para saber se continua com o nosso olhar de curiosidade. Se encontraste beleza no vento que passa entre árvores e nas palavras nascidas dentro de nós. Desejo que tenha preservado a capacidade de parar, observar e sentir profundamente.

De onde estou deixo-te esta pergunta silenciosa. O que realmente ficou de tudo que vivemos? E se ao chegar aos cem anos, ainda restar ternura ao olhar o mundo, então saberei que o essencial permaneceu.

Eva Maria Z. Griep

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